Casa do Avô de Eça de Queiroz – Verdemilho

Numa viagem em direção a Aveiro, decidimos ir à procura da antiga casa do avô de Eça de Queiroz. Pouco antes de chegar à cidade de Aveiro, na saída 15 da A1 para a N235 em direção a Aveiro Sul/ N333/ Águeda, saímos da autoestrada em direção à Junta de Freguesia de Aradas, em Verdemilho, e em seguida enveredámos pela Rua do Conselheiro Queiroz.

Quando chegámos à casa, que fica mesmo junto à estrada e não tem qualquer placa ou sinal indicativo do que representa, pudemos perceber que estava bastante degradada e há muito que fora abandonada, sem que tivesse sido feita qualquer recuperação ao longo de todos estes anos.

Um vizinho que mora na moradia defronte da antiga casa da família Queiroz, conhecida como Quinta da Torre, revelou-nos que esta pertence agora à Câmara Municipal de Aveiro, que já prometeu a sua reconstrução devido à importância histórica que tem para o concelho, mas na verdade as obras nunca começaram.

Em 2011, um grupo de quatro estudantes da Escola Secundária Dr. Mário Sacramento, em Aveiro, recolheu mais de 600 assinaturas com o objetivo de pressionar a Câmara Municipal de Aveiro a recuperar rapidamente esta casa, mas a autarquia não deu seguimento ao abaixo-assinado.

O avô de Eça de Queiroz era um conhecido desembargador e liberal, Dr. Joaquim José de Queiroz, que organizou o levantamento de 16 de maio de 1828 do Porto contra o governo absoluto do Rei D. Miguel I, o que o levou a ser condenado à morte. No entanto, exilou-se em Inglaterra e França e aquando da vitória dos liberais voltou para a sua casa de Verdemilho, chegando a ser deputado e ministro da Justiça em Portugal. 

Contudo, desiludido da política (à semelhança de Afonso da Maia em “Os Maias”), decidiu dedicar-se à educação do neto. Foi nesta casa que Eça de Queiroz passou a sua infância, onde aprendeu a escrever as primeiras letras com o padre António Gonçalves Bartolomeu, que anos depois fez questão de assistir à sua formatura na Universidade de Coimbra.

Julga-se que a casa fora adquirida pelo Desembargador Queiroz em novembro de 1822, após o seu regresso do Brasil, na comitiva de D. João VI. Sabe-se que foi acrescentado, mais tarde, um piso acima do piso térreo, altura em que foi retirado da fachada o Brasão da família Queiroz, que foi salvo por Acácio Rosa e doado ao Museu de Santa Joana, no centro da cidade de Aveiro, onde se encontra agora exposto. Após as partilhas familiares, o pai de Eça de Queiroz ficou com o usufruto desta casa, embora fosse propriedade de todos os netos de D. Teodora Joaquina, avó de Eça de Queiroz, o que dificultou a sua conservação. Em 1904, a casa foi leiloada e vendida a João Santos Capela, e entretanto já funcionou como casa de espectáculos para um grupo teatral da localidade e ainda albergou uma pequena atividade industrial.

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