Museu da Eletricidade mostra produção de energia elétrica

No âmbito do Lisboa Open House, o Museu da Eletricidade contou com uma visita guiada gratuita onde foi explicado o funcionamento da fábrica e como o carvão criava vapor que se transformava depois na eletricidade.

O Museu da Eletricidade foi aberto ao público em 1990 e sofreu obras de requalificação entre 2001 e 2005 para reforçar a sua estrutura. Este museu, que é património da Fundação EDP, reabriu em 2006 para permitir visitas gratuitas ao espaço que foi a Central Tejo – Central Termoelétrica de Lisboa que fornecia energia elétrica para toda a zona de Lisboa e Vale de Santarém. A Central foi construída entre 1908 e 1951 e teve várias fases de ampliação, contanto também com diferentes estilos arquitetónicos.

Maquete do Museu da Eletricidade
Maquete do Museu da Eletricidade

Um tapete rolante trazia para dentro do edifício o carvão que se encontrava acumulado na Praça do Carvão, zona onde agora se situa a entrada para o Museu.

Praça do Carvão
Praça do Carvão

 

Os barcos atracavam perto desta zona do carvão e os alcocheteiros, os trabalhadores que descarregavam o carvão e que eram assim conhecidos por serem maioritariamente oriundos de Alcochete, descarregavam o carvão do barco o mais depressa possível porque a empresa pagava aos barcos por cada hora que se encontravam parados em Lisboa. Assim, cada trabalhador levava entre 40 a 50kg de carvão na cabeça sem ajuda de maquinaria, o que hoje em dia parece impensável.

 

Descarga do carvão
Descarga do carvão

 

 

Dentro da fábrica, o carvão que vinha nos tapetes chegava às caldeiras gigantes da Sala das Caldeiras, situada no antigo edifício de caldeiras de Alta Pressão. Estas caldeiras com cerca de 30 metros de altura trabalhavam a cerca de 1200ºC e queimavam o carvão muito lentamente num tapete rolante, retirando o vapor de dentro da caldeira através de uns tubos na parte superior das caldeiras. Nesta sala estavam sempre temperaturas por volta dos 40ºC e por isso os trabalhadores usavam, por cima das suas roupas, fatos de serapilheira que molhavam em água para se manterem sempre o mais frescos possível. No fundo das caldeiras encontravam-se trabalhadores que empurravam o carvão que ainda não estava totalmente queimado para o centro da caldeira, para que transformasse em vapor.

 

Tapete de carvao dentro da caldeira
Tapete de carvao dentro da caldeira
Caldeira
Caldeira
Trabalhador acima da Sala das Caldeiras
Trabalhador da Sala das Caldeiras
Trabalhador na Sala das Caldeiras
Trabalhador na Sala das Caldeiras

 

Descendo um piso, por baixo das caldeiras, encontramos a Sala dos Cinzeiros, na qual os trabalhadores recolhiam as cinzas resultantes do processo de queima do carvão e levavam estes desperdícios para a rua em carrinhos de mina sobre carris. A constante entrada e saída do edifício fazia com que adoecessem muito facilmente devido às mudanças de temperatura e levavam a que estes trabalhadores fossem frequentemente despedidos para curar as suas constipações, mas logo readmitidos quando se encontravam de novo aptos para trabalhar, pois por norma eram de famílias muito pobres e precisavam do dinheiro para sobreviver. Inicialmente as cinzas eram deitadas ao rio por não terem utilidade, mas mais tarde tornaram-se em matéria vendida a empresas mais pequenas que as reaproveitavam nas suas atividades.

 

Sala dos Cinzeiros
Sala dos Cinzeiros
Carrinho na Sala dos Cinzeiros
Carrinho na Sala dos Cinzeiros
Trabalhadores na Sala dos Cinzeiros
Trabalhadores na Sala dos Cinzeiros

 

 

Seguidamente no processo de transformação do carvão em eletricidade está a Sala da Água, um espaço em que vemos um tubo vermelho, que continha o vapor, e um tubo verde, que continha água da rede pública utilizada para as caldeiras. Nesta sala trabalhavam os engenheiros e as pessoas com mais estudos e que, consequentemente, recebiam salários mais altos do que os trabalhadores da Sala das Caldeiras e da Sala das Cinzas.

Sala da Água
Sala da Água
Tubos na Sala da Água
Tubos na Sala da Água

 

No piso superior situa-se a Sala dos Geradores, onde se encontram dois turbo-alternadores, máquinas que permitiam a transferência do vapor para os condensadores. Cada máquina tinha uma turbina que trabalhava a 3 mil rotações por minuto, o que fazia o chão deste piso vibrar.

Turbo-Alternador
Turbo-Alternador

 

Nesta sala vemos grandes janelas para aproveitar a luz solar, pois não desejavam desperdiçar o que acabavam de produzir – a eletricidade – e vemos ainda a Sala dos Comandos, onde se encontravam as pessoas mais importantes da fábrica, que controlavam a distribuição da eletricidade para toda a zona de Lisboa e Vale de Santarém.

 

A sala seguinte é a Sala dos Condensadores que utilizava água do rio Tejo para arrefecer as máquinas e seguidamente a devolvia de novo ao rio, com um tubo que vinha diretamente do rio abaixo. Estes condensadores tinham tubos de cobre e tampas de zinco, o que permitia o seu bom funcionamento com a utilização da água do rio, até porque os trabalhadores verificavam o nível de sal para não haver estragos. Nesta sala estão também os disjuntores dos grupos geradores da central e ainda uma exposição que homenageia os trabalhadores da central com fotografias de época sobre as suas atividades e condições laborais.

 

Condensador
Condensador

 

Embora a visita guiada às instalações da antiga Central Tejo termine aqui, o Museu conta ainda com um espaço para exposições temporárias e também uma exposição permanente na Sala do Experimentar, que contém uma área sobre fontes de energias (renováveis e fósseis), uma área sobre cientistas que contribuíram para os avanços da energia elétrica e uma área onde as crianças podem aprender mais sobre eletricidade com jogos experimentais interativos e divertidos.

 

O Museu da Eletricidade disponibiliza visitas guiadas e sessões experimentais para escolas e ainda visitas para grupos, que podem ser marcadas para todos os dias através do número 210 028 190 ou do e-mail museudaeletricidade@edp.pt.

 

Sabe mais sobre a história da Central Tejo aqui.

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