Museu de Lisboa relembrou conquista da cidade em 1147

Para comemorar o aniversário da conquista de Lisboa aos mouros, a 25 de outubro de 1147 por D. Afonso Henriques, o Museu de Lisboa, anteriormente designado por Museu da Cidade, organizou uma visita guiada com foco na época medieval portuguesa, que relembrou como era a cidade nesse tempo.

Na introdução, a guia explicou que a Península Ibérica sempre foi local onde muitos povos se misturaram por se fixarem nesta zona, desde mouros (vindos da Mauritânia), a árabes (da Península Arábica), passando por berberes (de Marrocos), sírios e romanos. Embora o povo português seja, hoje em dia, o resultado biológico da mistura de todos estes genes, em termos de cultura a que prevaleceu foi a arábica, pois ainda hoje temos muitas expressões linguísticas e palavras de origem árabe, e também a forma como cultivamos os campos advém dos seus ensinamentos.

A primeira paragem desta visita guiada foi diante de um quadro de 1947 que comemorou os 800 anos da conquista de Lisboa. O pintor baseou-se nos relatos de historiadores árabes e cristãos e tentou criar um retrato fidedigno de como era Lisboa em 1147, vista do topo de uma colina conhecida como o monte de S. Francisco ou monte Fragoso, sito na atual zona do Chiado. Na pintura conseguimos ver a Cerca Velha, assim chamada por ter sido construída no séc. X, e que tem diversas portas de entrada na cidade, como a Porta da Alfofa e a Porta de Ferro, e ainda várias torres, incluído a Torre da Escrivaninha a Oeste, e alguns postigos, virados para o Sul da cidade. Dentro das muralhas, a cidade parece uma “noiva deitada”, pois as suas habitações eram de um tom branco que fazia lembrar o vestido de uma noiva. Consegue ainda ver-se a alcáçova, parte alta da cidade, onde vivia o regente que obedecia ao califado, cuja sede se situava em Córdova, e vê-se também a Mesquita Maior, no local onde hoje se situa a Sé de Lisboa. A zona de Alfama era, nesta altura, arrabalde da aristocracia muçulmana, e o lado de Almada era um local rico em ouro e minas de minerais preciosos.

Quadro de Lisboa medieval
Quadro de Lisboa medieval

 

A guia referiu igualmente que nesta altura toda a terra de Lisboa e arredores era muito fértil e esta área era conhecida pelas suas riquezas naturais, como os recursos piscícolas do rio Tejo (que nos relatos antigos representavam dois terços do rio!), as maçãs e peras de Sintra (que chegavam a ter cinco palmos de diâmetro!), o azeite, e muitos outros produtos, o que fazia com que a Cerca Velha fosse essencial para proteger a cidade da tentativa de conquista por forças estrangeiras com interesses nestes bens. Um exemplo destes ataques foi a tentativa de conquista de Lisboa pelos Vickings, que por três vezes tentaram mas acabaram por ser sempre derrotados.

Assim que D. Afonso Henriques conquistou Santarém, já todos esperavam que viesse em seguida conquistar Lisboa, e assim aconteceu. Com a ajuda de muitos povos estrangeiros, entre eles alemães e ingleses, franceses e flamengos, D. Afonso Henriques contou com uma armada num total de 164 navios que atracaram no Tejo a 28 de junho de 1147 e deram início a um cerco de 4 meses à cidade fortificada de Lisboa. A paciência era uma grande virtude nesta época para o sucesso de uma conquista, por isso, a 25 de outubro de 1147, a cidade de Lisboa passou a ser governada por D. Afonso Henriques. Naquela época, viviam na cidade e em paz moçárabes (cristãos sob domínio muçulmano), issis (cristãos que se convertiam ao islamismo) e muçulmanos, e como tal D. Afonso Henriques permitiu que as pessoas acabassem por ficar ou por sair da cidade de livre vontade, não os perseguindo por isso. No entanto, alguns dos estrangeiros que ajudaram o primeiro Rei de Portugal a conquistar a cidade aproveitaram para pilhar tudo o que puderam e matar inocentes indiscriminadamente, desde crianças a mulheres e idosos. Uma das principais baixas foi o Bispo muçulmano de Lisboa, que foi morto por ignorância, pois os estrangeiros não se aperceberam de quem se tratava.

Aclamação de D. Afonso Henriques
Aclamação de D. Afonso Henriques
Cerco de Lisboa
Cerco de Lisboa
Gravuras de Lisboa
Gravuras de Lisboa
Morte do Bispo de Lisboa
Morte do Bispo de Lisboa
Tomada de Lisboa
Tomada de Lisboa

 

A guia parou depois em frente de um quadro representativo da conquista de 1147, mas pintado no séc. XVII para exaltar as façanhas dos portugueses. Neste quadro as personagens estão vestidas com roupas da época seiscentista e não como na época medieval, e também o Paço da Alcáçova já se encontra retratado com o aspeto que tinha no século XVII, bem como a Sé de Lisboa e a Igreja dos Mártires (destruída em 1755 e reconstruída na Rua Garrett) estão lá representadas, quando na realidade não existiam ainda em 1147.

Quadro da Conquista de Lisboa
Quadro da Conquista de Lisboa

 

 

Fez-se ainda referência ao padroeiro de Lisboa, S. Vicente, escolhido por D. Afonso Henriques e cujas relíquias foram mandadas trazer para Lisboa, vindas do cabo de S. Vicente, perto de Sagres, bem como foi cunhada moeda com o rosto do santo, uma homenagem. Foram ainda pintados, posteriormente, os painéis de S. Vicente e construída a Torre de Belém, que foi designada à época Torre de S. Vicente a-par-de-Belém. No entanto, constatou-se que o povo lisboeta parece preferir Sto. António como padroeiro, pois este foi criado em Lisboa na sua adolescência, enquanto S. Vicente tem muito pouca ligação à cidade e viveu há mais tempo,  no séc. IV, muito antes do imaginário lisboeta.

 

Brasões Lisboa e Portugal

Brasões de Lisboa e Portugal
Brasões de Lisboa e Portugal

 

Após esta visita guiada, foi possível realizar uma visita livre ao museu. As primeiras salas são compostas por peças de cerâmica e pedra encontradas em diferentes escavações arqueológicas espalhadas por toda a cidade. As salas seguintes mostram uma coleção de azulejos e louças de utilização quotidiana.

Ceramica

Olaria

Azulejos no Museu de Lisboa

Painéis de Azulejos

 

Segue-se a incrível maquete da Lisboa antes do terramoto de 1755, uma imponente peça com muitos pormenores e que mostra o quanto Lisboa era diferente da que hoje conhecemos.

 

 

A cozinha do antigo Palácio Pimenta, onde se encontra hoje a sede do Museu de Lisboa, é também muito interessante, com os utensílios colocados no sítio em que estavam na época em que a cozinha era utilizada e um antigo fogão a lenha. A cozinha apresenta ainda uma coleção de bem preservados azulejos de figura avulsa.

Cozinha do Palacio Pimenta

Cozinha do Palacio

Cozinha

 

Após a subida da escadaria, encontramos o primeiro andar deste palácio onde são exibidas outras peças da exposição, desde maquetas de estátuas de Lisboa a colchas de Castelo Branco, passando por azulejos e um magnífico piano inglês.

 

Piano Inglês
Piano Inglês
Leque
Leque

 

Este museu tem a sua sede no Palácio Pimenta, no Campo Grande, mas é ainda composto por outros três núcleos: o Museu de Santo António, situado no Largo de Santo António da Sé, o Museu do Teatro Romano, localizado na Rua da S. Mamede, e ainda a Casa dos Bicos, na Rua dos Bacalhoeiros. O núcleo do Museu de Lisboa, no Campo Grande, encontra-se em remodelação e por isso permite entrada gratuita aos visitantes, de terça-feira a domingo entre as 10 e as 18 horas. Mais informações pelo e-mail museudelisboa@cm-lisboa.pt.

 

Painéis Hospital da Esperança
Painéis Hospital da Esperança
Painéis da Praça do Comércio
Painéis da Praça do Comércio

Painel de azulejos

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