Elétrico de Sintra comemora 112 anos

O Elétrico de Sintra foi inaugurado oficialmente a 31 de março de 1904, e desde aí que tem sido um grande marco da Vila de Sintra, que atrai anualmente milhares de pessoas, desde turistas a habitantes do concelho. Apesar de ser uma atração mais estival, o Elétrico funciona durante todo o ano e no inverno continua a ser uma opção de passeio de sexta-feira a domingo.

Apesar da ideia de ligar Sintra a Colares ter surgido em 1886, apenas em 1898 a Câmara Municipal adjudicou a concessão da construção e exploração do caminho-de-ferro a vapor entre Sintra e, nesta altura, a Praia das Maçãs por um prazo de 99 anos. Em 1900 é então constituída a Companhia do Caminho de Ferro de Cintra à Praia das Maçãs, que em 1904 se passou a chamar Companhia Cintra ao Oceano, e são encomendados a uma firma americana, a J. G. Brill Company, 13 elétricos, entre carros motores e atrelados.

O primeiro troço desta linha foi entre Sintra (Vila Velha) e São Sebastião de Colares, numa extensão total de 8.900 metros que foi inaugurada, como já referido, a 31 de março de 1904. O restante troço até à Praia das Maçãs, com 3.785 metros, foi inaugurado mais tarde, a 10 de julho do mesmo ano, ficando completo o percurso que hoje conhecemos. A 31 de janeiro de 1930 foi inaugurado o troço até às Azenhas do Mar, hoje encerrado, fazendo com que a linha atingisse a extensão total de 14.600 metros.

No entanto, a partir do final da década de 40 os elétricos de Sintra, que tinham um enorme sucesso, começaram a perder o seu fulgor, muito devido ao desenvolvimento dos transportes mecânicos. Em 1953 tomou-se a decisão de colocar os elétricos a funcionar somente no verão e em 1955 é encerrado o troço entre a Praia das Maçãs e as Azenhas do Mar. Em 1958 decide-se encerrar o troço entre a Vila Velha e a Estação de Sintra devido às obras de alargamento da Volta do Duche e aumento do tráfego automóvel nessa zona.

Contudo, o seu percurso entre a Estação de Sintra e a Praia das Maçãs voltou a ser muito procurado e era comum ver as enchentes de pessoas na fila para o elétrico aos domingos e feriados, durante o verão.

Até que, em agosto de 1967, a concessão foi comprada pelo grupo de camionagem Eduardo Jorge e o investimento nos elétricos decresce, bem como a sua exploração, que deixa de ser rentável. As infraestruturas começam a degradar-se e o elétrico deixa de circular em 1974, passando o percurso a ser feito por autocarros em 1975.

Mas a vontade de colocar em circulação os elétricos, símbolo emblemático de Sintra, manteve-se intacta e a 15 de maio de 1980 foi oficialmente reaberta a linha do elétrico, embora apenas no troço entre o Banzão e a Praia das Maçãs. De 1996 a 1997 foi recuperado o troço entre a Ribeira e a Praia das Maçãs, que foi reinaugurado a 30 de outubro de 1997. No ano do seu centenário, a 4 de junho de 2004, foi reaberto o troço até à zona da Estefânia, em Sintra, de onde saem hoje os elétricos, junto à Vila Alda.

Até aos dias de hoje, o elétrico tem funcionado anualmente sem interrupções, embora apenas de sexta-feira a domingo sem marcação. De terça a quinta-feira podem ser feitas marcações de grupos através do número 219 236 114.

Na comemoração dos seus 110 anos, a Câmara de Sintra organizou uma exposição no primeiro piso do Palácio Valenças, em plena Volta do Duche, composta por fotografias, documentos escritos e peças retiradas dos próprios elétricos, pertencentes ao Arquivo Histórico de Sintra. A organização da exposição explicou que o objetivo era relembrar a inauguração da primeira viagem do elétrico e dar a conhecer muito do espólio que existe no Arquivo Histórico de Sintra. A iniciativa teve bastante afluência, tanto de habitantes do concelho como de residentes das zonas perto de Sintra, e também de muitos turistas estrangeiros. Todos os visitantes demonstraram um grande interesse pela história do elétrico e uma enorme curiosidade pelos acontecimentos do dia da sua inauguração.

Esta iniciativa contou com o apoio da unidade orgânica da Câmara Municipal responsável pela posse do elétrico, com o nome DPIM (Divisão do Património Móvel e Imóvel), e com o entusiasmo do CEC, a Liga dos Amigos dos Caminhos-de-ferro, que tem um grande carinho pelo elétrico de Sintra e foi um dos principais impulsionadores do recomeço das viagens de elétrico.

 

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